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Prêmio Literário, Poemas, poesia, Rafael Caputo, Revista InVersos

Poesia "À deriva", por Rafael Caputo

Publicado em 21/02/2022

Sem o Norte que gostaria,
Mais ao Sul do que imaginara.
Um instante, um momento,
uma saudade cor de rosa dos ventos.
Tempos perdidos em vários anseios.
Tudo abstrato, nada concreto:
tesouro perdido, enterrado, incompleto.
Adição de incertezas, aflição de desejos.
Efêmera espera que me aborrece,
me consome, me angustia, me enlouquece.
Do baú das lembranças esquecidas
vasculho em vão Palavras de alento.
Dor e sofrer são alimentos da alma.
De tempero: tomilho e tormento.
Naufragado ao passado, ancorado no tempo.
Preciso fugir, navegar, correr, sair, escapar.
Nada me resta senão atracar. Mas aonde?
Estou fraco e abatido, cansado e iludido.
Sonhando com a utopia de uma esperança fúnebre.
Pulsos ilesos, pelo menos por enquanto.
E se o infinito do horizonte não for suficiente?
Navego há tempos num mar de dúvidas.
Os remos já deixei para trás.
À deriva me encontro:
pálido, enjoado, sujo salgado de lágrimas.
Lamentando a boiar distante do cais
com vaga esperança de terra firme.
Maldita pirata!

💔