Este mundo me assusta, por Luiza Passini Vaz-Tostes

As vozes são altas demais, os gestos são bruscos demais, os encontros parecem batalhas travadas entre pessoas cansadas.
Não quero mais o amor que chega como tempestade, que confunde intensidade com violência, que chama de paixão aquilo que apenas machuca.
Recuso o amor bruto.
Quero um amor delicado como a luz da manhã atravessando a cortina. Um amor que toque minha alma como o vento toca as flores: sem arrancá-las do lugar.
Quero alguém que me beije como uma pétala encontra o chão, sem pressa, sem ruído, sem ferir.
Quero alguém que me abrace como uma lareira abraça o inverno, afastando o frio sem jamais queimar.
Há crueldade demais no mundo. Há pedras demais nos caminhos. Que o amor não seja mais uma delas.
Que seja jardim.
Que seja abrigo.
Que seja a rara ternura de duas almas que, cansadas da brutalidade da vida, escolheram cuidar uma da outra.
Porque, às vezes, o gesto mais revolucionário não é amar intensamente, mas amar com delicadeza.
Siga a autora: @luizapassini