Entrevista com Wagner de Wahnfried, autor do livro Pelos Poros dos Ventos


ENTREVISTA:
Revista Conexão Literatura: Wagner, como surgiu a ideia para escrever Pelos Poros dos Ventos? Houve algum momento específico que inspirou a criação desse universo?
Wagner de Wahnfried: Este livro mantém o mesmo estilo e conteúdo de todos os meus outros livros, 26 até aqui. São conteúdos poético-filosóficos que surgem a partir de temas-universos-sentidos pertinentes ao Ser: poesias em concertos filosóficos em celebrações ao inelutável eterno descortinar-se da vida em evoluções infindas.
Revista Conexão Literatura: A mitologia e os elementos fantásticos do livro são bastante originais. Quais foram suas principais influências literárias ou culturais ao construir esse mundo?

Wagner de Wahnfried: Influências (psicológicas e cármicas) de vidas passadas, com certeza. Sempre fui enredado por universos dionisíacos a partir de leituras primordiais e primeiras de Hermann Hesse e Nietzsche, por exemplos, e de músicas e fatos de Richard Wagner, assim como pelas incríveis ocorrências casuais – tantas! - de coincidências em sincronicidades que acometem sempre os que buscam os sinais das premeditações primeiras e últimas, nesta teia perfeita que envolve o tudo em tudo pré-socrático.
Revista Conexão Literatura: O título Pelos Poros dos Ventos é bastante poético e instigante. Pode nos contar o significado por trás desse nome?
Wagner de Wahnfried: A Totalidade é adentro de Si mesma, não há fora, o Cosmos é coeso e uno, senão seria caos. O Todo (Deus) é imanente e transcendente, e não pode haver um outro, ou o outro, em relação a Deus, ao Todo, senão Ele não seria o Todo. Então, e se tudo está em tudo, somos, todos e tudo, Um, Uno e Todo, se não em nosso infindo meio, porém ao fim dessas relatividades de espaço e tempo. Pelos poros dos ventos é o Todo soprando e ventando, fluindo e suando, vazando e extravasando de si mesmo e em si mesmo, pois tudo em tudo, e que, se aí assim - aqui então, a poesia tentando.
Revista Conexão Literatura: Como foi o seu processo de escrita? Você segue alguma rotina criativa ou escreve quando a inspiração surge?
Wagner de Wahnfried: Geralmente, temos hora marcada, eu e meus “influenciadores” espirituais – às noites, com músicas e silêncios, inspiração e transpiração. Escrevo a quatro mãos, sou médium de inspiração. Não sei, ao certo, se sempre, ou não. Mas, tal não importa tanto assim, pois escrever é ofício que desempenho necessariamente.
Revista Conexão Literatura: Além da fantasia, você explora outros gêneros literários? Há planos para obras futuras?
Wagner de Wahnfried: Já publiquei um livro de contos e já fui classificado em concursos de contos, e, aí, uma questão interessante: quase todos os contos que escrevi, à primeira vista, parecem de uma imaginação fantástica, pois incríveis, porém, o engraçado aqui é que a grande maioria das histórias que contei foram a mais pura realidade. E então, aqui, escrevendo contos, não sou ou fui ficcionista, mas é onde mais pareço ter sido. Já estou escrevendo o próximo livro que irá se chamar O Balbuciar de um Eterno,
Revista Conexão Literatura: Seus personagens são complexos e bem construídos. Como você desenvolve essas camadas psicológicas e emocionais? Costuma se basear em pessoas reais?
Wagner de Wahnfried: Sempre em mim. Tudo é questão de sintonia. Tudo é movimento e vibra. Depende daquilo que buscamos. Costumo dizer que se você quer realmente conhecer alguém, deve saber o que este alguém pede em suas orações. Sempre pedi: Deixa-me saber! E, olha, quando as portas se abrem, o que podemos ver é muito assustador, pelas dimensões inacreditáveis possíveis. Conheço encarnação minha de 3.500 anos atrás, no Egito. Era Hitita e sacerdote de Moloc... precisa mais?
Revista Conexão Literatura: A literatura fantástica nacional vem ganhando espaço nos últimos anos. Como você enxerga esse crescimento e qual é o seu papel dentro desse cenário?
Wagner de Wahnfried: Meu papel sempre foi o de cumprir, da melhor maneira possível, aquilo que se descortina para mim. Tudo é importante e válido, mas temos sempre de tentar fazer o nosso melhor, sempre. E apenas isso. O crescimento do “além da matéria” é inexorável. Nenhuma mente cabe em qualquer cérebro.
Revista Conexão Literatura: Para quem ficou curioso com Pelos Poros dos Ventos, como os leitores podem adquirir o livro? Ele está disponível em livrarias físicas, plataformas digitais ou diretamente com você?
Wagner de Wahnfried: O livro será lançado em breve pela Editora Ipê das Letras. Haverá uma noite de autógrafos, em breve.
Revista Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?
Wagner de Wahnfried: Apenas transcrevo um pequeno poema do livro:
O Todo Perfeito espreita
De dentro de toda centelha
De cada pequeno grão de areia
Solto aos ventos e por nossas peles
Batendo e escorrendo pelas faces adentro
De quem chora pelos tantos maravilhamentos
Que afloram agora pele afora
E já então todo adentro
Dos próprios ventos
Os cenários são tão perfeitos
Que coxias estão esquecidas
E os atores tão cientes dos papéis
Que o Espírito dentro deles sumiu
Ah! E esses enredos!
Teias, entranhas, dedos!
Universos, anéis e asas!
Reunião, todos em casa!
Um, Uno, Todo e solto!
Aqui e em mim, de novo!
Ousei desejar decifrar a Vida
Ousei desafiá-la a decifrar-me ainda
Ah! Querida! Mal sabia! Que me perderia
Em Ti! Adentro de mim! Por ali! Por ali! Viu?
O Todo no Ponto em mim! – e o Todo dela agora e aqui!